
Como lendas, amores e peripécias viraram as cantigas de roda que embalam o Brasil?
Contrarides, o homem mais mal-humorado da Ilha de Marajó, salvou uma jovem indígena e seus sapos-cururu à beira do rio. Araquídia, na Catalunha, escalou uma torre humana para cumprir uma promessa absurda e ganhou o apelido de Dona Aranha. Mas como essas histórias — cheias de humor, acasos e brasilidade — se transformaram nas canções que ecoam nos quintais e escolas?
Em Só sei que foi assim, Fernanda de Oliveira tece narrativas que misturam fantasia, tradição oral e uma pitada de “Auto da Compadecida”, homenageando Ariano Suassuna e o jeito mirabolante de contar histórias, como as do adorável Chicó. No segundo volume da série, ilustrado com xilogravuras de J. Borges e Pablo Borges, descobrimos as origens de cantigas como “Sapo-Cururu”, “Dona Aranha”, “A Galinha do Vizinho” e até um conto surpresa sobre Ninoca, a telefonista que inventava anedotas e canções.
De Marajó à Bahia, passando por influências ciganas e bandeirantes, o livro é uma celebração da diversidade brasileira — com direito a QR Codes que levam a arranjos de xote, frevo e baião, cantados pela própria autora. E se você duvida que duas irmãs chamadas Crizelda e Tibúrcia compuseram “A Galinha do Vizinho”, Fernanda responde com um sorriso: “Bom, só sei que foi paralelamente assim…”
Uma pergunta permanece: quantas outras histórias escondem as rimas simples das cantigas que a gente canta sem saber por quê?