Atualmente o medo se voltou contra modelos de linguagem como o ChatGPT, o Google Gemini e similares. O argumento agora é que tais ferramentas farão todo o trabalho, tanto de professores quanto de alunos, levando a uma decadência dos processos formativos. Isso sem falar em questões de plágio e direitos autorais. O temor chegou a tal ponto que, em 2023, o Departamento de Educação da cidade de Nova York, nos Estados Unidos, chegou a bloquear o acesso ao ChatGPT em todos os dispositivos e redes escolares ligadas ao órgão. Meses depois, a decisão foi revogada com a promessa de esforços para abraçar o potencial da ferramenta.
Isso mostra que, ao contrário das crenças iniciais, nem a internet substituiu os professores, nem os corretores automáticos deixaram as pessoas menos inteligentes. Da mesma forma, não vai demorar para que todos percebam que, por maior que seja o avanço, as IAs generativas vão ocupar um nicho limitado na sociedade, assim como a internet e os demais recursos tecnológicos já criados. Cabe às pessoas se adaptarem e aprenderem a conviver com elas.

Apesar disso, o que se observa é que o medo tem levado muitas pessoas a resistirem e criticarem esses avanços. No entanto, a pergunta que devemos nos fazer é: estamos enfrentando problemas reais ou combatendo moinhos de vento? Os riscos de fato existem, mas talvez não com a gravidade ou o impacto que imaginamos. O verdadeiro problema é que quase todas as consequências negativas do uso de qualquer recurso tecnológico têm como principal causa a ação humana, seja por imperícia, imprudência, negligência, ignorância ou até mesmo má intenção.
Fatalidades acontecem, claro, cujos acidentes podem ser traumáticos. Contudo, é preciso reconhecer que, mesmo que centenas de pessoas percam suas vidas todos os anos devido a acidentes envolvendo eletricidade, atualmente ninguém cogita deixar de usá-la. O ponto central desta discussão é que não há o que possa ser feito para impedir os avanços tecnológicos. Se vamos entrar nesse campo de batalha para lutar por alguma coisa, que seja pela ética no desenvolvimento, aplicação e utilização destes recursos e por regulações que atendam aos interesses do bem-estar comum, aos direitos humanos e ao desenvolvimento sustentável.
