
“O que acontece quando um profeta vira roqueiro? A noite que Bob Dylan explodiu o folk e inventou o rock moderno”
Em 25 de julho de 1965, Bob Dylan entrou para a história com três acordes elétricos e uma plateia em fúria. No palco do Newport Folk Festival, bastião da música acústica e das canções de protesto, o poeta que definiu uma geração apareceu com uma guitarra Fender Stratocaster e uma banda barulhenta. O resultado? Maggie’s Farm e Like a Rolling Stone tocadas com raiva, distorção e uma dose de provocação. O público, que o via como “voz da contracultura”, vaiou, gritou “traição” e aplaudiu com hesitação. Mas aquele chuva de vaias mudou a música para sempre – e agora, décadas depois, o crítico musical Wald resgata o episódio em um livro que desafia mitos e revela: Dylan não estava sozinho na rebeldia.
A explosão que ecoou por 60 anos
Wald, um dos nomes mais respeitados da crítica, desmonta a ideia de que Dylan agiu por capricho. Em entrevistas inéditas e análises de gravações da época, ele mostra como o artista já cozinhava a guinada elétrica desde 1964, inspirado pelo blues de Chicago e pelo rock nascente. A banda que o acompanhou em Newport, formada por músicos de estúdio da Blue Caps, foi escolhida a dedo para causar ruptura. “Era um ato político”, diz Wald. “Dylan sabia que o folk puro não daria conta do turbilhão dos anos 1960. O rock seria a nova língua da revolução.”
Herança de um caos planejado
A rejeição naquela noite não foi unânime: gravações mostram aplausos entre os gritos, e até Pete Seeger, ícone do folk, admitiu depois: “Ele nos arrastou para o futuro”. O livro revela ainda que, longe do palco, *jovens como Jimi Hendrix e Janis Joplin assistiam ao happening* – e dali saíram prontos para incendiar os anos 1960. O “Dylan elétrico” não matou o folk, como diz a lenda: reciclou-o. Sua ousadia pavimentou o caminho para o rock engajado de Bruce Springsteen e até o rap combativo de Kendrick Lamar.
Para Wald, a lição é clara: “O verdadeiro protesto não é repetir fórmulas, é desafiar até seus próprios aliados”. E você: está pronto para revisitar a noite em que um homem “sem rumo, igual a uma pedra que rola” virou o jogo?