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Só duas cidades poluídas se adequam às novas diretrizes de qualidade do ar da OMS

Porto (Portugal) e Estocolmo (Suécia) são as únicas cidades que obedecem às novas diretrizes de qualidade do ar definidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). em um universo de 47 cidades com diferentes níveis de poluição. Essa é uma das conclusões do artigo científico “New WHO global air quality guidelines: more pressure on nations to reduce air pollution levels”, publicado recentemente na revista The Lancet e de autoria do professor Helotonio Carvalho, do Departamento de Biofísica e Radiobiologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Em sua análise, o professor dividiu as cidades observadas em dois grupos: as com níveis mais altos de poluição e as com níveis mais baixos. A situação, segundo o estudo, é particularmente preocupante em Mumbai (Índia), que precisará de uma redução de 92% em suas emissões, Pequim (China) e Riade (Arábia Saudita), 93%; Karachi (Paquistão), 94%; Ulaanbaatar (Mongólia), 95%); e Nova Delhi (Índia), 97%. O pesquisador se propôs a chamar a atenção para a importância da revisão desses parâmetros (os critérios anteriores datam de 2005), tendo em vista as mais de sete milhões de mortes anuais causadas pela poluição atmosférica no mundo.

Segundo explica, “a poluição atmosférica representa um sério risco à saúde pública e, dentre os diversos poluentes atmosféricos, o material particulado, principalmente o PM2,5, é o mais associado a efeitos adversos à saúde, dentre eles o agravamento de doenças respiratórias como asma, bronquite e enfisema, além de estar relacionado com infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e câncer de pulmão”.

De acordo com os novos padrões de qualidade do ar, a média anual de material particulado fino (PM2.5) aceitável à saúde humana foi reduzida à metade, de 10 para 5 µg/m3, enquanto a média anual para dióxido de nitrogênio (NO2) foi reduzida de 40 para 10 µg /m3. Além disso, os limites aceitáveis em 24 horas também foram reduzidos, embora em menor grau.

Para ele, os novos critérios que definem a qualidade do ar, aliados à pressão para redução do uso de combustíveis fósseis a fim de combater as mudanças climáticas e, ainda, aos objetivos para a diminuição das emissões de dióxido de carbono (CO2) em consonância com o Protocolo de Paris, serão essenciais à transição para um mundo descarbonizado, contribuindo para salvar milhões de vidas. “Embora muitos países tenham seus próprios padrões de qualidade do ar, as diretrizes de qualidade do ar da OMS são geralmente mais rígidas, especialmente se comparadas com aquelas adotadas por países de baixa e média renda (LMICs, na sigla em inglês)”, afirma.

OMS fez poluição atmosférica diminuir

Para o pesquisador, as diretrizes de qualidade do ar estabelecidas pela OMS, associadas ao monitoramento da qualidade do ar, conseguiram diminuir os níveis de poluição do ar em muitas cidades e países nas últimas duas décadas e exemplifica que, apesar de ainda apresentar altos níveis de poluição atmosférica, a China tem conseguido reduzir substancialmente seus níveis de poluentes atmosféricos na última década, resultando em benefícios para a saúde de sua população. No rol das localidades que, mesmo apresentando baixos níveis de poluição, ainda precisam se ajustar aos novos parâmetros estão Adelaide (Austrália), Auckland (Nova Zelândia), Helsinque (Finlândia), Estocolmo (Suécia) e Vancouver (Canadá), estas com níveis de PM2.5 menores que 10 μg/m3.

Outras cidades conseguiram diminuir os níveis de poluição do ar de 2014 a 2018, como Nova York (EUA) e Oslo (Noruega). Cidades como Amsterdã (Holanda), Barcelona (Espanha), Lisboa (Portugal), Londres (Reino Unido), Los Angeles (EUA), Moscou (Rússia), Rio de Janeiro (Brasil) e Roma (Itália) tiveram PM2.5 decrescente nesse período e estavam perto de atender às diretrizes anteriores da OMS. “No entanto”, aponta o estudo, “outras cidades, como Berlim (Alemanha), Frankfurt (Alemanha), São Paulo (Brasil), Tóquio (Japão) e, em particular, Cidade do México (México), Milão (Itália) e Seul (Coreia do Sul), mostraram níveis de poluição do ar em 2018 que estavam bem acima das diretrizes anteriores da OMS”. 

Imagem em destaque: Cidade do Porto, Portugal – Crédito: Daniel Seßler/Unsplash

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