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Publicações científicas tentam pôr fim às práticas coloniais no mundo da ciência

Melhorar a inclusão e a ética nas colaborações globais de pesquisa. Esse objetivo passa a integrar a linha editorial da Nature, uma das maiores redes de publicações científicas em todo o mundo. Segundo editorial publicado hoje, a mudança pretende combater práticas como a “pesquisa de helicóptero” e o “despejo ético”, comportamento adotado por muitos especialistas e entidades geradoras de conhecimento.

A ‘pesquisa de helicóptero’ ocorre quando pesquisadores de ambientes de alta renda, ou que são privilegiados, realizam estudos em ambientes de baixa renda ou com grupos historicamente marginalizados, com pouco ou nenhum envolvimento dessas comunidades ou pesquisadores locais na pesquisa. Outra prática exploradora é o ‘despejo ético’, onde pesquisadores privilegiados exportam experimentos e estudos antiéticos ou intragáveis ​​para ambientes de baixa renda ou menos privilegiados com diferentes padrões éticos ou menor supervisão. O editorial da Nature destaca que ambas as práticas não são apenas erradas, mas são ruins para a pesquisa, à qual são negados conhecimentos e contexto.

Na nova abordagem, os periódicos Nature vão encorajar seus autores, editores e revisores a considerarem o Código de Conduta Global ao desenvolver, conduzirem, revisarem e comunicarem pesquisas. Para melhorar a transparência, os autores serão incentivados a fornecer uma declaração de divulgação opcional sobre inclusão e ética, que pode ser compartilhada com os revisores e publicada no artigo final. Os editores podem, a seu critério, solicitar que os autores forneçam uma declaração.

A nova abordagem também visa garantir que a revisão por pares inclua a representação de regiões e comunidades relevantes. Além disso, os autores serão incentivados a citar pesquisas locais e regionais relevantes, para melhorar a qualidade de suas citações e promover a justiça citacional.

Na data de hoje, um grupo de sociólogos aborda em artigo como trabalhos de pesquisadores que atuam em países como o Brasil, o México e a Turquia, por exemplo, são desconsiderados nas citações e referências de artigos científicos redigidos por especialistas, que preferem remeter seus leitores a trabalhos produzidos nos EUA, Reino Unido e China, distorcendo os rumos do conhecer científico. O texto, publicado na Nature Human Behavior, pode ser acessado aqui.

O editorial conclui: “Chegou a hora de todas as partes interessadas – financiadores, instituições, editores e pesquisadores – considerarem como podemos trabalhar juntos para desmantelar legados sistêmicos de exclusão”.

Imagem em destaque: Pexels

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