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Há 200 anos nascia Anita Garibaldi, a brasileira considerada a “Heroína dos Dois Mundos”

Duzentos anos atrás, no dia 30 de agosto, nascia uma brasileira que hoje é homenageada como uma de nossas heroínas. Seus feitos também são cultuados no Uruguai, na Itália e em San Marino. Ao longo deste ano, em diversos momentos, eventos realizados nesses quatro países lembram seus feitos. Em 8 de maio de 2007, a então senadora Serys Slhessarenko solicitou que Anita Garibaldi recebesse o título de Heroína da Pátria e ingressasse no Livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão da Liberdade e da Democracia, em Brasília, o que aconteceu em 10 de maio de 2012. Aqui um breve relato de sua história.

Descendente de imigrantes dos Açores que ajudaram a povoar Santa Catarina no século 18, Ana Maria de Jesus Ribeiro nasceu no município de Tubarão, em 30 de agosto de 1821, filha do tropeiro Bento Ribeiro da Silva e de Maria Antonia de Jesus Antunes. De família pobre, ela foi a terceira de 10 filhos do casal. Com a morte precoce de seu pai, Ana passou a conviver com a mãe e os irmãos. O tio morava em Lages, mas teve a casa incendiada pelas tropas imperiais em 1837 e precisou se mudar para Laguna e morar com a família do Sul. Com ele, Ana Maria passou a viver os ideais de liberdade, igualdade, justiça e dignidade humana.

Mesmo contra sua vontade, ela precisou casar aos 14 anos, no dia 30 de agosto de 1835, com o sapateiro Manoel Duarte Aguiar, um ferrenho seguidor da monarquia. Depois de três anos de matrimônio, o marido alistou-se no exército imperial, deixando a jovem esposa em Laguna.

Durante a Revolução Farroupilha, o guerrilheiro italiano Giuseppe Garibaldi, a serviço da República Rio-Grandense, participou da tomada do porto de Laguna, e conheceu Ana, a quem chamava de Anita. Esse foi o início de um relacionamento amoroso.Anita lutou ao lado do companheiro, foi enfermeira, esposa e mãe. Anita seguiu Garibaldi em seus combates em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Uruguai (Montevidéu) e Itália.

Na batalha de Curitibanos, no começo de 1840, Anita foi feita prisioneira, mas o comandante do exército imperial, admirado de seu temperamento indômito, permitiu que Anita procurasse o cadáver do marido, supostamente morto na batalha. Em um instante de distração dos guardas, Anita tomou um cavalo e fugiu. Após atravessar a nado com o cavalo o rio Canoas, chegou ao Rio Grande do Sul, e encontrou-se com Garibaldi em Vacaria.

Em 16 de setembro de 1840 nasceu o primeiro filho do casal, Menotti Garibaldi. Depois de poucos dias, o exército imperial cercou a casa de Anita, que fugiu a cavalo com o recém-nascido nos braços e alcançou o bosque onde ficou deitada por quatro dias, até que Garibaldi a encontrou.

Em 1841, quando a situação militar da República Rio-Grandense tornou-se insustentável, Garibaldi solicitou e obteve do general Bento Gonçalves a permissão para deixar o exército republicano. Anita, Giuseppe e Menotti foram para Montevidéu, no Uruguai, onde permaneceram por sete anos. Em 1842 oficializaram a união. Naquele país nasceram outros três filhos do casal: Rosa (1843), Teresa (1845) e Ricciotti (1847).

Em 1847, Anita foi para a Itália com os filhos. Em 9 de fevereiro de 1849, presenciou com o marido a proclamação da República Romana, mas a invasão franco-austríaca de Roma, depois da batalha no Janículo, os obrigou a abandonar a cidade. Garibaldi deixou Roma com 3.900 soldados.

Grávida, Anita teve complicações de saúde quando chegaram na república de San Marino. O casal não aceitou o salvo-conduto oferecido pelo embaixador americano e continuaram a fuga. Com a saúde fragilizada, foi transportada às pressas à fazenda Guiccioli, próximo a Ravenna, onde morreu em 4 de agosto de 1849, com febre tifoide. A criança também não sobreviveu.

Em 1932, seu corpo foi finalmente sepultado no monumento construído em sua homenagem no Janículo, em Roma.

Mulher de coragem e força que não se furtou em lutar por um ideal de justiça, rompendo preconceitos e estigmas, Anita serviu e serve de exemplo a todas as mulheres do país. Em todos os papéis que desempenhou na vida, sua batalha sempre foi travada em nome da liberdade e da justiça. Tornou-se assim Anita Garibaldi, a “Heroína dos Dois Mundos”.

Imagem em destaque: Busto de Anita Garibaldi em Florianópolis, Santa Catarina. Crédito: Fundação Catarinense de Cultura

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