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Estudo projeta que a experiência de perder um filho vai se tornar cada vez mais incomum

Pesquisadores do Instituto Max Plank divulgaram um estudo no qual avaliam que a experiência de luto materno vem se deslocando da idade reprodutiva da mãe para a idade em que ela se aposentaria. A análise considerou mães nascidas de 1950 a 2000. De acordo com a pesquisa, mães que nasceram a partir de 1985 passaram a ter maior probabilidade de perder um filho quando tiverem 65 ou mais anos de idade e não quando tenham 50 anos de idade e seus filhos ainda sejam crianças. Segundo os autores, isso reverte uma tendência global de longa data: a morte deixará de ser “infantil” para se tornar cada vez mais a morte de “descendentes adultos”. Os pesquisadores projetam que a experiência de perder um filho se tornará cada vez mais incomum.

Diego Alburez-Gutierrez, Martin Kolk e Emílio Zagheni aplicaram uma nova metodologia de demografia formal aos dados da Revisão de 2019 das Perspectivas da População Mundial das Nações Unidas, levando em consideração características próprias de cada hemisfério. Por exemplo, a mortalidade infantil continua sendo um evento de vida comum nos países localizados na metade sul do planeta. Também projetaram desigualdades regionais persistentes na disponibilidade de filhos na vida adulta, uma preocupação particular para pais que dependem do apoio de seus filhos após a aposentadoria. De acordo com as análises, os especialistas em demografia preveem que as diferenças históricas entre as condições de vida no norte e no sul do planeta irão diminuir em futuro próximo.

“Eu mesmo cresci na Guatemala, um país de alta mortalidade, e agora vivo na Alemanha, um país de baixa mortalidade. Isso me fez perceber os diferentes relacionamentos e experiências que as pessoas têm com a morte. Por essa razão, eu queria desenvolver uma medida para capturar essas diferenças”, diz Diego, cientista que coordena a área de pesquisa (processos de envelhecimento e geração) do Instituto Max Plank de Pesquisa Demográfica (MPIDR), em Rostock, Alemanha. Zagheni é seu colega de instituto. Já Kolk pertence à Universidade de Estocolmo. O estudo foi publicado na revista científica Demography.

Imagem em destaque: Foto de Claudia Wolff/Unsplash

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