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Enjôo depois de horas diante da tela do pc ou celular? Pode ser ciberdoença

Você já se sentiu como se a luz da tela do computador estivesse penetrando em seus olhos e fazendo sua cabeça pulsar? Já sentiu tonturas ou náuseas depois de ficar muito tempo olhando para o celular? Talvez você imagine que esses sintomas sejam apenas fruto de cansaço visual. Mas, na verdade, são mais que isso. São sinais de que você está sofrendo de ciberdoença. E esse mal está sendo mais e mais comum depois que a pandemia levou o trabalho para dentro de casa e para diante das telas de um computador ou de um tablet por horas.

Os pesquisadores ainda não sabem explicar como essa doença aparece, qual é a sua origem. A explicação mais aceita atualmente é que ela surge devido a um conflito sensorial. Seus olhos recebem a informação de que você está em movimento quando, na realidade, você está parado. Um exemplo: a Apple lançou em 2013, nas telas de bloqueio do iPhone, um efeito de paralaxe que fazia a imagem de fundo parecer que flutuava ou mudava enquanto o usuário movia o telefone. Muitas pessoas que adquiriram o aparelho reclamaram de desconforto. E esse desconforto aconteceu exatamente porque o efeito desencadeou sintomas parecidos com um enjôo. Esse incômodo também acontece em sites onde a imagem de fundo permanece fixa enquanto o conteúdo do primeiro plano rola. Enquanto a sobrecarga do nervo óptico provoca cansaço visual, fadiga e dores de cabeça, a desorientação se manifesta como tontura e vertigem. Outros sintomas da doença cibernética são a dificuldade de concentração e a visão turva.

Embora esses sintomas possam ser passageiros, há casos em que duram mais de 24 horas após o uso do computador, do celular ou mesmo da televisão. Isso pode não parecer grande coisa no início. Mas, se persistirem, podem provocar sérios problemas. Fortes dores de cabeça, cansaço visual ou tontura podem afetar a coordenação e o nível de atenção. Dirigir um veículo tendo sua coordenação e sua atenção afetadas pode ocasionar um grave acidente. Além disso, dificilmente a produtora do software ou outra parte envolvida será responsabilizada pelas lesões resultantes.

Pouco se sabe sobre como a ciberdoença afeta o dia a dia, muito menos sobre que grupos são mais propensos a ela. As informações mais recentes indicam que a doença ataca de modo mais grave as mulheres, pessoas que não jogam videogames com frequência ou que apresentem problemas de equilíbrio.

Realidade virtual e aumentada aumentam o problema

Os sintomas de ciberdoença tendem a ser mais intensos com o uso da realidade virtual (RV) e da realidade aumentada (RA). A tecnologia da RV bloqueia totalmente sua visão do mundo real e a substitui por um ambiente artificial onde você entra “de cabeça”. É bastante usada em plataformas de jogos populares, como o Oculus, do Facebook e Sony Playstation VR. A realidade virtual pode resultar em graves níveis de náusea, que aumentam com a duração do tempo em que ficamos imersos na RV. Por outro lado, a RA sobrepõe um ambiente simulado ao mundo real. A tecnologia pode incluir dispositivos de cabeça que ainda permitam que você veja o que está à sua frente ou algo do tipo Pokémon Go no seu telefone ou tablet. A realidade aumentada tende a provocar uma tensão mais grave sobre o nervo óptico e o movimento dos olhos.

Mesmo que você nunca tenha usado dispositivos de RV ou RA, é provável que o faça nos próximos 10 anos. Uma empresa norte-americana que realiza pesquisas de mercado estima que o emprego dessas tecnologias no trabalho, na educação e no entretenimento seja 60 por cento maior daqui a 6 anos. Isso vai desencadear um aumento nos sintomas de ciberenjôo.

Dicas para diminuir os efeitos

Se você usa o computador ou o celular por períodos mais longos e está lutando contra os sintomas de ciberdoença, existem algumas maneiras de aliviar o desconforto. Os óculos de luz azul são projetados para bloquear algumas das ondas de luz emitidas pela tela e que podem causar fadiga ocular e um sono menos tranquilo. O cansaço visual também pode ser reduzido simplesmente aumentando-se o zoom na tela ou empregando fontes de tamanhos maiores.

Se você está interessado em experimentar os aplicativos de realidade virtual e realidade aumentada mas tende a enjoar, os indicadores de advertência, como o Oculus Comfort Ratings, podem ajudar. Tenha sempre o cuidado de calibrar visualmente os dispositivos para que seus olhos fiquem o mais confortável possível e use os dispositivos apenas em espaços abertos, para diminuir o risco de lesões caso você fique tonto e perca o equilíbrio. Faça pausas se começar a sentir algum desconforto.

Fonte: Angelica Jasper (PhD Candidate in Human Computer Interaction, Iowa State University). Em: https://theconversation.com/screentime-can-make-you-feel-sick-here-are-ways-to-manage-cybersickness-163851

Imagem em destaque: Dillon Shook/Unsplash

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