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Dardo é atirado da Terra como teste para ferir asteroide antes que ele atinja o planeta

Terça-feira. Este é o dia em que a NASA vai lançar ao espaço pela primeira vez uma nave com o objetivo de se chocar contra um asteroide. A intenção é verificar se a colisão será capaz de desviar da rota um corpo celeste que tem a Terra em seu caminho. Por enquanto, é apenas um teste. O asteroide alvo da missão não é uma ameaça real. Mas os pesquisadores querem ver se a estratégia será capaz de, no futuro, mudar a trajetória de um asteroide que seja verdadeiramente perigoso para a vida terrestre. A missão será realizada em conjunto com a Agência Espacial Italiana (ASI) que, com sua sonda LICIACube, irá documentar o impacto, além de outras coisas.

Programada para ser lançada na Califórnia no próximo dia 23, a espaçonave é chamada de Teste de Redirecionamento de Asteroide Duplo (DART, na sigla em inglês, ou DARDO, em português). Seu alvo é um par de asteroides que viajam juntos pelo espaço, um orbitando o outro enquanto giram em torno do Sol. Dimorphos, o menor dos dois, com 160 metros de largura, orbita Didymos (que significa gêmeo, em grego) e é quase 5 vezes maior.

Se o lançamento for bem sucedido, a nave espacial viajará 11 milhões de quilômetros e, no final de setembro ou começo de outubro de 2022, atingirá Dimorphos a 24 mil quilômetros por hora. O impacto deve encolher a órbita de Dimorphos para que circule Didymos pelo menos 73 segundos mais rápido do que antes do choque.

Técnicos baixam a espaçonave Teste de Redirecionamento de Asteróide Duplo (DART) da NASA em um posto de trabalho dentro da Instalação de Operações Espaciais Astrotech na Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia, em 4 de outubro de 2021. A missão tem lançamento previsto para 23 de novembro de 2021, a bordo de um Foguete SpaceX Falcon 9 de Vandenberg. Crédito: USSF 30th Space Wing / Aaron Taubman.

Dez dias antes do impacto, LICIACube será liberada do dispensador da DART e passará a ter uma navegação autônoma em direção ao duplo asteroide, a fim de testemunhar o choque e adquirir imagens de Dimorphos após o impacto, inclusive do hemisfério não atingido. Astrônomos usando telescópios observarão Dimorphos a partir da Terra em busca de sinais dessa alteração orbital – o que seria perceptível na maneira como seu brilho muda ao passar diante e atrás de Didymos.

Esta coreografia complicada tem como objetivo testar a ideia de que colidir com um asteroide pode dar uma ajudazinha para impedir que ele atinja a Terra, diz Nancy Chabot, uma cientista planetária do JHU-APL que trabalha na missão. Focar nos dois é “uma maneira muito inteligente e segura de fazer este primeiro teste”, diz ela.

“As chances de algo grande o suficiente para ser um problema, que teríamos que desviar, são muito pequenas em nossas vidas”, diz Andy Rivkin, cientista planetário do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins (JHU-APL), com sede em Laurel, Maryland/EUA, que construiu a espaçonave.“Mas a situação pode aparecer quando menos se espera, e é bom estarmos preparados”.

Lutando contra asteroides

Pequenos asteroides e fragmentos de asteroides atingem a Terra o tempo todo, mas a maioria deles se desintegra na atmosfera ou cai inofensivamente no solo como meteoritos (como este, visto recentemente nos céus de Cuiabá). A NASA identificou até agora mais de 27.000 deles com trajetórias que os aproximam da Terra. A preocupação é que algum novo asteroide possa surgir, vindo diretamente contra o planeta – e que seja grande o suficiente para causar sérias consequências quando nos atingir, assim como o asteroide que ajudou a matar os dinossauros e outras formas de vida na Terra 66 milhões de anos atrás.

Os cientistas espaciais apresentaram muitas ideias para combater os asteroides que se aproximam, a mais dramática das quais envolve detoná-los com armas nucleares. Outras estratégias menos dignas de cinema envolvem alterar a trajetória do asteroide com uma espaçonave que viaje ao lado dele e puxe-o usando forças gravitacionais, ou colidindo com ele como a missão DART, de 330 milhões de dólares.

Fonte: Nature, NASA e ASI. Imagem em destaque: Uma ilustração da espaçonave DART da NASA e do LICIACube da Agência Espacial Italiana (ASI) antes do impacto no sistema binário Didymos. Crédito: NASA / Johns Hopkins; APL / Steve Gribben

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