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Dá para comparar mortes por coronavírus com mortes por acidente?

Muitos têm se referido à pandemia do coronavírus como um cisne negro – um evento raro, catastrófico e imprevisível. No entanto, para o cunhador do termo e autor dos best-sellers Arriscando a própria pele e Antifrágil, a atual pandemia não se trata de um cisne negro. Em uma entrevista concedida à rede de televisão norte-americana Bloomberg no dia 31 de março, Nassim Nicolas Taleb afirmou:

“Fico irritado quando as pessoas dizem que essa pandemia é um cisne negro. Nós tivemos cisnes negros. O Onze de Setembro foi definitivamente um cisne negro, mas isso é um cisne branco. Não há desculpas para corporações não estarem preparadas para isso, e definitivamente não há desculpas para governos não estarem preparados.”

Indo ao encontro dessa afirmação, em janeiro, quando o vírus estava praticamente apenas na China, o autor publicou, em coautoria com Joseph Norman e Yaneer Bar-Yam, um artigo intitulado “Systemic Risk of Pandemic via Novel Pathogens – Coronavirus: A Note” (Riscos sistêmicos de uma pandemia via novos patógenos: um lembrete), no qual sugere medidas drásticas para conter a disseminação do coronavírus. 

“Os tomadores de decisão devem agir rapidamente e evitar a falácia de que ter respeito apropriado pela incerteza em face de possíveis catástrofes irreversíveis equivale a paranoia”, concluem os autores do artigo.  

“Os riscos não são todos iguais. Muitas vezes ouvimos que ‘o Ebola vem causando menos mortes do que o número de pessoas que se afoga na banheira’ ou algo do tipo, com base em ‘provas’. Essa é outra classe de problemas que sua avó consegue entender, mas os semi-instruídos não. Nunca compare um risco multiplicativo, sistêmico e de cauda longa a um risco não multiplicativo, idiossincrático e de cauda curta.”
— Trecho do livro Arriscando a própria pele.

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