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Cuidado com fones de ouvido! Mau uso pode afetar saúde de jovens e adultos

Em todos os lugares, as pessoas estão expostas a diferentes tipos de sons todos os dias, em todas as horas do dia, inclusive quando se dorme. Trânsito de veículos, pessoas, animais, uso de utensílios domésticos, gente conversando, o som da música, da rádio, da televisão, dos equipamentos no ambiente de trabalho, dentro e fora de onde moramos, no interior de veículos, shoppings, cinemas, hospitais, eventos esportivos. Há um livro muito interessante que trata do tema. Seu título é A Afinação do Mundo. Foi escrito por R. Murray Schafer e editado no Brasil pela Editora da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O nível de todo esse som que nos chega tem se elevado perigosamente, especialmente nas grandes cidades e metrópoles. E tem preocupado os estudiosos, ainda mais quando o assunto envolve crianças, adolescentes e jovens cada vez mais “invadidos” pelo som que vem dos fones de ouvido. Novas tecnologias oferecem, inclusive, a possibilidade de o som da música, por exemplo, diminuir quando o ouvinte precisa falar com alguém, o que pode aumentar o já grave problema de saúde pública. Desse modo, apenas em certas ocasiões será preciso tirar o fone dos ouvidos.

Crianças, adolescentes e adultos estão ouvindo muitas horas de música diariamente em volumes que ultrapassam o limite recomendável para que não se perca a audição com o passar do tempo e isso se transforme numa questão de segurança. Quem ouve menos tem maior dificuldade de se comunicar, se isola socialmente, corre maior risco de quedas, acidentes e complicações de saúde, incluindo demência na idade avançada.

Em recente encontro da Sociedade Americana de Acústica (ASA em inglês), os estudiosos Daniel Fink e John Mayes(*) trataram de pesquisas recentes sobre o uso de sistemas pessoais de áudio e a necessidade de políticas públicas de conservação da audição. Em 2017, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos indicaram que quase 4 entre 10 adultos norte-americanos entre 20 e 69 anos de idade apresentavam perda auditiva induzida pelo ruído, pelo som. Os pesquisadores destacam que o risco de deficiência auditiva é maior para pessoas que, num período de 5 anos, usam fones de ouvido por mais de uma hora por dia e com mais de 50% do volume.

Eles alertam que a exposição a um ruído de 85 decibéis, indicado como seguro pelo Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional dos EUA para trabalhadores de fábricas ou operadores de equipamentos pesados, não vale para crianças e adolescentes, “cujos ouvidos têm que durar a vida inteira”. Fink é firme quando diz que “85 decibéis não é uma exposição segura para ninguém”.

Para os dois, é preciso que se estabeleçam urgentes padrões de emissão de ruído para fones de ouvido, além de uma campanha permanente de educação pública sobre seu uso para que se evite uma “iminente pandemia de perda auditiva induzida por ruído quando as gerações mais jovens de hoje chegarem à meia-idade”.

(*) Daniel Fink and John Mayes. Personal audio system use can harm auditory health. 180th Meeting of the Acoustical Society of America. Em 10/06/2021.

Imagem em destaque – domínio público.

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