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Nova sonda reduz o risco de contaminação por covid-19 em ambiente hospitalar

Uma das principais preocupações das autoridades sanitárias tem sido a contaminação de médicos e enfermeiros no combate ao novo coronavírus. Segundo dados levantados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em vários países, de cada 100 pessoas afetadas pelo covid-19, cerca de 12 a 25 são profissionais de saúde. O número é bem maior no Brasil, segundo estudos realizados por universidades públicas nacionais: de 25 a 50. Mas uma nova sonda pulmonar, desenvolvida na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pode reduzir esse alto índice de contaminação em hospitais. Graças a ela, pacientes e agentes de saúde vão poder respirar melhor.

O esforço de professores e ex-alunos daquela instituição de ensino mineira acaba de ser reconhecido pela Associação Brasileira de Propriedade Intelectual (ABPI) com o Prêmio Patente do Ano.

O prêmio foi entregue na tarde desta quinta-feira, 22 de outubro, em cerimônia virtual conduzida pela diretora de Patentes do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), Liane Lage.

A UFMG depositou a patente, intitulada Método e sonda de aspiração endobronquial de secreções, em 2009, concedida em dezembro do ano passado pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

Menor contaminação

“Desenvolvemos um modelo de sonda e um método de aspiração que gera menos aerossol por parte dos pacientes, reduzindo assim o risco de contaminação dos profissionais na linha de frente no combate à covid-19”, explica Claysson Vimieiro, professor vinculado ao Departamento de Engenharia Mecânica da UFMG, um dos inventores da tecnologia. Além dele, assinam a patente Shirley Lima Campos e Daniel Neves Rocha. Todos capitaneados por Marcos Pinotti Barbosa, falecido em 2016.

Os aerossóis – partículas menores que as gotículas expelidas durante a tosse ou espirro que permanecem em suspensão no ar por mais tempo –, são uma importante forma de transmissão e objeto de vários estudos em ambientes hospitalares. O contágio por meio dessas partículas está associado a procedimentos como intubação traqueal, ventilação não invasiva e posição prona (de bruços).

O desafio

Os estudos para a geração da patente surgiram a partir de demanda apresentada por uma aluna do doutorado, fisioterapeuta especialista na aspiração de secreções, como as geradas nas pneumonias. “Os profissionais enfrentavam um grande problema com as sondas tradicionais. Primeiro, eles não sabiam o quanto precisavam introduzi-la para alcançar uma posição correta na sucção da secreção. E, ao fazer isso, eles não tinham certeza em qual pulmão ela havia entrado. Isso gerava um impasse, já que é preciso aspirar os pulmões várias vezes ao dia”, explica Vimieiro.

Uma sonda em formato ‘V’ trouxe a solução. Ao chegar próximo à entrada do órgão, em uma bifurcação chamada carina, cada tubo do dispositivo segue para um pulmão (direito ou esquerdo) em um posicionamento adequado para que a aspiração seja processada em um ou nos dois órgãos. “Quando criamos a tecnologia, o foco eram as várias doenças respiratórias, mas, em um contexto de pandemia, a aspiração eficiente pode tanto ajudar na cura dos pacientes, já que os pulmões estão entre os órgãos mais afetados pela doença, quanto na proteção dos profissionais da saúde, pois a técnica gera menos aerossóis, diminuindo o risco de contaminação nos ambientes hospitalares”, detalha.

O próximo passo é encontrar empresas e hospitais interessados em testar e desenvolver a tecnologia.

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